
México 1986: A Copa de Maradona e a 'Mão de Deus'
Um único jogador, um torneio inesquecível e dois gols que entraram para a história no mesmo jogo. A Copa do Mundo de 1986 foi o palco de Diego Maradona, cujo talento individual conduziu a Argentina ao seu segundo título mundial.
A Copa do Mundo da FIFA de 1986 foi disputada no México entre 31 de maio e 29 de junho. O país assumiu a organização do evento após a desistência da Colômbia por motivos econômicos, tornando-se o primeiro a sediar o Mundial duas vezes. O cenário não poderia ser melhor para uma das atuações individuais mais memoráveis de todos os tempos.
Durante a fase de grupos, poucos resultados fugiram ao roteiro, com exceção da eliminação de Portugal — semifinalista da Euro 1984 — para a seleção do Marrocos. A Hungria viveu momentos difíceis, sofrendo uma goleada de 6 a 0 para a URSS e perdendo para a França; sua única vitória foi sobre o Canadá, antes de um longo período de ausência da seleção no cenário mundial.
O Brasil, naturalmente, era apontado como um dos favoritos ao título. Com Sócrates, Zico e Careca no elenco, a equipe chegou às quartas de final em Guadalajara para enfrentar a França, em um confronto que a imprensa francesa prontamente classificou como um clássico. Após 120 minutos de empate, a decisão foi para os pênaltis, encerrando as esperanças do time de Telê Santana pela segunda edição consecutiva. A França, que havia superado a Itália nas oitavas, parecia imbatível até ser derrotada por 2 a 0 pela Alemanha Ocidental nas semifinais.
Do outro lado da chave, Maradona brilhava ao despachar a Bélgica com dois gols magistrais. Naquela altura, o camisa 10 já dominava as conversas globais, especialmente pelo duelo das quartas de final contra a Inglaterra. O mundo parou para ver um gol de mão, que ele cínica e famosamente chamou de "a Mão de Deus", seguido minutos depois por uma obra-prima: Maradona partiu do próprio campo, driblou quase todo o time inglês e finalizou, marcando o gol posteriormente eleito o mais bonito da história das Copas. O time de Bobby Robson não teve recursos para reagir.
Na final contra a Alemanha Ocidental, a Argentina começou dominante, abrindo 2 a 0. Franz Beckenbauer, técnico alemão, escalou Lothar Matthäus para uma marcação individual em Maradona, o que limitou seu brilho, mas não apagou o estrago feito. Os alemães reagiram e buscaram o empate em 2 a 2, com Beckenbauer tentando levar o jogo para a prorrogação. O plano falhou: Maradona encontrou uma brecha na defesa adversária e deu um passe preciso para Jorge Burruchaga, que correu livre e marcou o gol decisivo de 3 a 2. A Argentina conquistava o bicampeonato mundial, e Maradona se consagrava como o dono do futebol.
Artilheiro: Gary Lineker (Inglaterra) — 6 gols
Elenco Campeão: Pumpido, Batista, Brown, Burruchaga, Cuciuffo, Maradona, Valdano, Enrique, Giusti, Olarticoechea, Ruggeri, Islas, Zelada, Almirón, Bochini, Borghi, Passarella, Clausen, Garré, Pasculi, Tapia, Trobiani
Técnico: Carlos Bilardo
Partida com mais gols: Dinamarca 6 x 1 Uruguai
Total de gols marcados: 132 | Média por partida: 2,54
Público recorde: 114.600 — Argentina x Alemanha Ocidental (final) | Média de público: 46.020