
Alemanha Ocidental 1974: O fim do 'Futebol Total' e a consagração dos anfitriões
Antes mesmo do apito inicial, a Holanda já havia impresso selos comemorativos como campeã mundial. Com Johan Cruyff e o brilhantismo do 'Futebol Total', o título parecia certo. No entanto, na grande decisão, a Alemanha Ocidental tinha planos diferentes.
Alemanha Ocidental 1974: O fim do 'Futebol Total' e a consagração dos anfitriões
Entre 13 de junho e 7 de julho de 1974, a Alemanha Ocidental sediou a décima edição da Copa do Mundo da FIFA, um torneio que prometia um desfecho histórico. De um lado, os donos da casa, sob a batuta de Franz Beckenbauer e a eficiência de Gerd Müller. Do outro, a Holanda, que apresentava um estilo de jogo tão fluido e inovador que ganhou um nome próprio: Futebol Total. O otimismo holandês era tamanho que 100 mil selos postais foram emitidos antes do torneio com a inscrição: "Holanda — Campeã Mundial de 1974". Eles jamais seriam colocados em circulação.
A caminhada até a final foi marcada por turbulências. O Brasil, então defensor do título, teve um desempenho aquém do esperado, vencendo apenas o Zaire e empatando sem brilho contra Iugoslávia e Escócia. A Itália, vice-campeã em 1970, foi eliminada logo na fase de grupos, superada por Polônia e Argentina. O momento mais emblemático da primeira fase ocorreu em Hamburgo, quando a Alemanha Oriental surpreendeu seus vizinhos ocidentais com uma vitória por 1 a 0, graças ao gol de Jürgen Sparwasser — um resultado carregado de simbolismo político.
Na segunda fase de grupos, a Holanda se mostrou soberana. Com Johan Cruyff no auge de sua forma, a equipe eliminou Brasil e Argentina para garantir a vaga na decisão. Já o caminho da Alemanha Ocidental foi mais pragmático, superando Iugoslávia, Polônia e Suécia, com o gol decisivo de Müller contra os poloneses carimbando o passaporte para a final.
A decisão, realizada em Munique, começou em ritmo alucinante. Com menos de um minuto de jogo, antes que qualquer alemão tocasse na bola, Cruyff sofreu pênalti. Johan Neeskens converteu, abrindo 1 a 0 e dando ares de inevitabilidade à conquista holandesa.
Contudo, a Alemanha Ocidental reagiu com frieza. Paul Breitner empatou de pênalti aos 25 minutos e, pouco antes do intervalo, Gerd Müller marcou o gol da virada com sua típica calma, definindo o placar em 2 a 1. Na etapa final, apesar da intensa pressão holandesa, a defesa alemã se manteve intransponível. Beckenbauer ergueu a taça, frustrando o otimismo estampado nos selos postais da Holanda.
Dados do Torneio
Artilheiro: Grzegorz Lato (Polônia) — 7 gols
Elenco Campeão: Maier, Vogts, Breitner, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Grabowski, Overath, G. Müller, Höness, Bonhof, Hölzenbein, Nigbur, Kleff, Höttges, Wimmer, Cullmann, Netzer, Heynckes, Flohe, Herzog, Kapellmann, Kremers
Treinador: Helmut Schön
Partida com mais gols: Iugoslávia 9 x 0 Zaire
Total de gols: 97 | Média por partida: 2,55
Público recorde: 83.168 — Alemanha Ocidental x Chile | Média de público: 46.685