
Itália 1990: O Tri da Alemanha e a Noite de 'Nessun Dorma'
Um reserva que se tornou artilheiro, um goleiro que virou um paredão nos pênaltis e uma final decidida por uma penalidade polêmica. A Copa do Mundo de 1990, na Itália, foi marcada por drama, um futebol nem sempre brilhante, mas absolutamente inesquecível.
O Cenário Italiano
A 14ª edição da Copa do Mundo da FIFA aconteceu na Itália, entre 8 de junho e 8 de julho de 1990. Entre as favoritas, figuravam a anfitriã Itália, a Alemanha Ocidental, a Argentina, o Brasil e a Holanda. Esta última, carregando a expectativa em torno do trio do AC Milan — Van Basten, Gullit e Rijkaard —, acabou sendo a maior decepção do torneio.
A seleção italiana, por sua vez, apresentava solidez defensiva e um meio-campo combativo, embora carecesse de criatividade no ataque. Foi então que surgiu Salvatore Schillaci, um reserva que saiu do banco para marcar gols em todas as partidas que disputou, tornando-se o ídolo improvável de uma nação inteira.
As Surpresas e o Drama
O grande fenômeno de 1990 foi Camarões. A seleção africana chocou o mundo logo na abertura ao derrotar a Argentina, atual campeã, eliminou a Romênia e superou a Colômbia nas oitavas de final — em um lance épico onde o goleiro René Higuita se aventurou fora da área e acabou perdendo a bola para o veterano Roger Milla.
O confronto entre Brasil e Argentina em Turim foi um dos pontos altos. Com Sergio Goycochea em noite inspirada e contando com a sorte da trave, os argentinos decidiram o jogo após uma arrancada de Maradona, que serviu Caniggia para marcar o gol da vitória. No mesmo dia, em Milão, a Alemanha Ocidental superou a Holanda, num jogo que ficou marcado tanto pela revanche da Euro 1988 quanto pelo incidente de cusparada de Frank Rijkaard em Rudi Völler.
Decisões nos Pênaltis
As semifinais foram pura tensão. Itália contra Argentina, em Nápoles, e Inglaterra contra Alemanha Ocidental, em Turim, foram decididas nas penalidades. A eliminação da Itália em casa foi um duro golpe para os torcedores, enquanto a Inglaterra viu o sonho de repetir 1966 ruir na marca da cal. Curiosamente, a disputa de terceiro lugar entre italianos e ingleses foi considerada por muitos um espetáculo superior à própria final.
O Tri da Alemanha
A decisão entre Alemanha Ocidental e Argentina foi truncada e muito abaixo do esperado, especialmente se comparada ao duelo de 1986. O jogo caminhava para o empate sem gols quando, aos 84 minutos, um pênalti polêmico foi marcado após queda de Völler. Com Lothar Matthäus alegando problemas com a chuteira, Andreas Brehme assumiu a responsabilidade e garantiu o tricampeonato alemão. Com o título, Franz Beckenbauer entrou para a história como o segundo homem, após Mário Zagallo, a vencer a Copa como jogador e treinador.
Estatísticas do Torneio
- Artilheiro: Salvatore Schillaci (Itália) — 6 gols
- Elenco Campeão: Illgner, Brehme, Kohler, Augenthaler, Buchwald, Littbarski, Hässler, Völler, Matthäus, Klinsmann, Berthold, Aumann, Köpke, Reuter, Mill, Riedle, Bein, Steiner, Möller, Pflügler, Thon, Herrmann
- Treinador: Franz Beckenbauer
- Partidas com mais gols: EUA 1-5 Tchecoslováquia, Alemanha Ocidental 5-1 EAU
- Total de gols: 115 | Média por jogo: 2,21
- Público recorde: 74.765 — Iugoslávia x Alemanha Ocidental | Média de público: 48.391