
A Bélgica na Copa do Mundo de 2026: Análise do Grupo G
Após o declínio de sua geração de ouro, a Bélgica chega a 2026 com sangue novo e renovada esperança — e com Doku pronto para infernizar as defesas adversárias.
A Bélgica na Copa do Mundo de 2026: Análise do Grupo G
A Bélgica inicia sua jornada na Copa do Mundo de 2026 inserida no Grupo G, ao lado de Egito, Irã e Nova Zelândia, com jogos agendados para Los Angeles, Seattle e Vancouver. No papel, o chaveamento parece acessível; após a eliminação traumática na fase de grupos em 2022, que marcou o fim da famosa "geração de ouro", os Red Devils buscam desesperadamente reafirmar seu status entre a elite do futebol mundial.
Sob o comando do novo técnico Rudi Garcia, a atmosfera mudou. O francês, que construiu seu prestígio ao conquistar a Ligue 1 pelo Lille e levar a Roma ao vice-campeonato consecutivo da Serie A, implementou uma filosofia ofensiva e aposta firme em jovens promessas. Seu sistema 4-3-3, pautado na posse de bola e na pressão pós-perda, abriu espaço para talentos como o meio-campista Nicolas Raskin, do Rangers, e o lateral Joaquin Seys, do Club Brugge. A base defensiva veterana, outrora formada por Kompany, Alderweireld e Vertonghen, deu lugar a Zeno Debast, Koni De Winter e Maxim De Cuyper — uma nova safra que emerge para dissipar as sombras do passado.
No setor ofensivo, as opções são variadas. Doku, Trossard, De Ketelaere, Saelemaekers e Fofana disputam vagas pelos lados, mas é Jeremy Doku quem se destaca como a ameaça mais letal. Aos 23 anos, o ponta do Manchester City foi titular em todas as partidas das eliminatórias, acumulando cinco gols e três assistências, além de atormentar os defensores com seu drible imparável. Kevin De Bruyne continua sendo peça fundamental — sua visão de jogo e alcance de passe permanecem inigualáveis —, mas, aos 34 anos e após se recuperar de uma grave lesão na coxa, a Bélgica não pode mais depender exclusivamente de seu gênio criativo.
Outro reforço crucial é o retorno de Thibaut Courtois. O goleiro do Real Madrid, que havia se recusado a atuar sob o comando do antecessor de Garcia, Domenico Tedesco, foi reintegrado após seis meses e retoma seu lugar entre os melhores do mundo na posição.
A trajetória da Bélgica em Copas do Mundo é marcada por oportunidades perdidas: o quarto lugar em 1986, as eliminações nas quartas de final em 2014 e 2018, e o desastre na fase de grupos no Catar. O desafio de Garcia é transformar o talento disponível em uma unidade coesa — e em Doku, ele possui, ao menos, um jogador capaz de decidir partidas sozinho.